Atendimento no SUS e Acesso a Medicamentos: Garantindo o Direito à Saúde para Pessoas Autistas
Esse direito está assegurado pela Constituição Federal e pela Lei Berenice
Dr. Leandro Brum
7/16/20252 min read


O Sistema Único de Saúde (SUS) é responsável por garantir o acesso gratuito a serviços de diagnóstico, tratamento e medicamentos para pessoas autistas em todo o Brasil. Esse direito está assegurado pela Constituição Federal e pela Lei Berenice Piana (Lei nº 12.764/12), que reconhece o autismo como uma deficiência e determina a oferta de atendimento adequado na rede pública de saúde. No entanto, devido à demanda elevada e à carência de profissionais especializados em algumas regiões, muitas famílias enfrentam dificuldades para acessar esses serviços.
· Atendimento Multidisciplinar no SUS
O SUS oferece suporte às pessoas autistas por meio de diversos serviços, incluindo Unidades Básicas de Saúde (UBS), Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF) e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Os CAPS, em especial, desempenham um papel fundamental no atendimento multidisciplinar às pessoas com transtornos mentais e neurodesenvolvimentais, incluindo o Transtorno do Espectro Autista. Nesses centros, as famílias podem encontrar atendimento com psicólogos, psiquiatras, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e outros profissionais da saúde.
Além disso, hospitais de referência e ambulatórios especializados também oferecem suporte para diagnóstico e tratamento do autismo. O acesso a esses serviços pode ser feito por meio da regulação do SUS, com encaminhamento por um médico da atenção básica.
· Acesso a Medicamentos no SUS
Para algumas pessoas autistas, o uso de medicamentos pode ser necessário para tratar condições associadas, como ansiedade, hiperatividade, epilepsia ou dificuldades de regulação emocional. O SUS disponibiliza medicamentos gratuitos por meio da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) e do programa "Aqui Tem Farmácia Popular". Os medicamentos podem ser retirados em Unidades Básicas de Saúde ou em farmácias credenciadas, conforme a prescrição médica.
Se um medicamento essencial não estiver disponível na rede pública, as famílias podem recorrer à um advogado especializado para solicitar a judicialização do fornecimento. Há diversos precedentes judiciais garantindo o direito de pessoas autistas ao fornecimento gratuito de medicamentos não incluídos na lista padrão do SUS.
Exemplo Prático: Uma família percebe sinais de autismo em seu filho e o leva à Unidade Básica de Saúde para avaliação médica. O médico da UBS encaminha a criança para atendimento especializado no CAPS mais próximo. No CAPS, a criança passa por avaliação multidisciplinar, recebe orientação sobre terapias e acompanhamento contínuo. Caso seja necessária medicação, o médico prescritor informa quais medicamentos estão disponíveis no SUS e orienta a família sobre como obter gratuitamente na farmácia da UBS ou na Farmácia Popular.
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